Ao fim de mais de meia centena de jogos, um miúdo franzino e geneticamente talhado para o futebol, deixará de aparecer no sintético do Mourisquense. Tal qual o seu herói da Madeira, usará para sempre no seu imaginário o nº 17, numa camisola personalizada, feita à medida e com a inscrição mais pomposa que uma camisola poderia conter nas costas - “H. NEGRÃO”. A camisola não é de nenhum clube especial, é do clube da terra – como os outros – daqueles clubes de bairro onde não é todos os dias que o sol lhes bate. Naqueles clubes feitos à volta de gente curiosa, treinados por curiosos, geridos por curiosos, onde - dizem os mais letrados - , reina a desgraça, a falta de educação e de cultura e ao que parece, ainda manda o tinto-a-copo em ambiente de taberna.
Apesar de sonhador, o nº 17 conseguia passar mais tempo no campo do Mourisquense que no campo dos sonhos. Treinou afincadamente com a pontualidade e a assiduidade que a sua paixão mandava. Jamais arrepiou caminho a um treino, e ainda estão para nascer os demónios que possam provocar uma tempestade capaz de anular um treino do 17.
Muito, muito pouco o União Mourisquense tinha para dar ao seu nº 17. Procurámos transmitir a vida, a fantasia, a amizade, o humor e às vezes – se calhar – um pouco (muito pouco) de futebol.
O nº 17 foi embora precocemente, com títulos de jornal e algumas pobres honras. Não era esta a transferência desejada por ninguém. Só o “destino” a quis. É a derrota mais injusta, mais precoce e mais pesada que alguma vez poderíamos sofrer.
Com o diluir do tempo o clube de bairro, irá encontrar Hugos, Brunos, Alfredos e Franciscos, capazes de apagar e encontrar novos 17’s. O clube de bairro possui capacidades de rejuvenescimento inatas, é imune aos sentimentos e absolutamente hermético no seu dia-a-dia.
Para nós próprios, gente de carne, osso e alma, que vivemos os nossos pequenos grandes dramas do dia-a-dia; como sejam falhar um “penalty”, insultar um árbitro, acender a caldeira a lenha, ou marcar o campo, será difícil enfrentar o futuro próximo. O nº 17 não responderá ao Rui Ventura e ao Prof. Mota (treinadores), não irá dividir lances com o Mauro, não responderá à Prof. Olga, não brincará com o irmão mais velho, nem dará mais um beijinho de “boa noite” ao pai antes do deitar.
Para nós, enquanto gente que dá a cara pelo União Mourisquense, ficará eternamente gravado no “éter” do tempo, que se mais não foi feito, não foi por falta de empenho ou paixão, mas sim porque a ignorância nos cobriu amainando as nossas (poucas) capacidades.
E a haver “ignorância” entre nós, que esta não nos abandone para responder à mais cortante de todas as perguntas que possam ser feitas:
- E porquê, pai?
Apesar de sonhador, o nº 17 conseguia passar mais tempo no campo do Mourisquense que no campo dos sonhos. Treinou afincadamente com a pontualidade e a assiduidade que a sua paixão mandava. Jamais arrepiou caminho a um treino, e ainda estão para nascer os demónios que possam provocar uma tempestade capaz de anular um treino do 17.
Muito, muito pouco o União Mourisquense tinha para dar ao seu nº 17. Procurámos transmitir a vida, a fantasia, a amizade, o humor e às vezes – se calhar – um pouco (muito pouco) de futebol.
O nº 17 foi embora precocemente, com títulos de jornal e algumas pobres honras. Não era esta a transferência desejada por ninguém. Só o “destino” a quis. É a derrota mais injusta, mais precoce e mais pesada que alguma vez poderíamos sofrer.
Com o diluir do tempo o clube de bairro, irá encontrar Hugos, Brunos, Alfredos e Franciscos, capazes de apagar e encontrar novos 17’s. O clube de bairro possui capacidades de rejuvenescimento inatas, é imune aos sentimentos e absolutamente hermético no seu dia-a-dia.
Para nós próprios, gente de carne, osso e alma, que vivemos os nossos pequenos grandes dramas do dia-a-dia; como sejam falhar um “penalty”, insultar um árbitro, acender a caldeira a lenha, ou marcar o campo, será difícil enfrentar o futuro próximo. O nº 17 não responderá ao Rui Ventura e ao Prof. Mota (treinadores), não irá dividir lances com o Mauro, não responderá à Prof. Olga, não brincará com o irmão mais velho, nem dará mais um beijinho de “boa noite” ao pai antes do deitar.
Para nós, enquanto gente que dá a cara pelo União Mourisquense, ficará eternamente gravado no “éter” do tempo, que se mais não foi feito, não foi por falta de empenho ou paixão, mas sim porque a ignorância nos cobriu amainando as nossas (poucas) capacidades.
E a haver “ignorância” entre nós, que esta não nos abandone para responder à mais cortante de todas as perguntas que possam ser feitas:
- E porquê, pai?

2 comentários:
Grande texto. Parabéns..
HUGO NEGRÃO
SEMPRE NO NOSSO CORAÇÃO
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